A minissérie Adolescência (Adolescence) estreou tem pouco tempo no streaming da Netflix, mas mesmo com poucas semanas no ar, a sua história foi capaz de prender o público do início ao fim.
No melhor estilo plano-sequência, que é aquele em que a história é contada em um único plano, sem cortes ou movimentos bruscos, ela conseguiu conquistar um público genuinamente grande, alcançando inclusive uma marca histórica: uma das 10 séries mais assistidas da história da plataforma de streaming.
Entretanto, o que muitos não sabem é o segredo que fez a série chegar nesse patamar histórico. Afinal, Adolescência merecia todo esse hype?
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Adolescência é um sucesso que chega para ficar… e talvez mudar os ares do streaming
A história da minissérie começa após a polícia da Inglaterra descobrir um assassinato, e prender um garoto de apenas 13 anos, que mais tarde descobrimos ter matado uma garota de sua escola. Ao longo dos quatro episódios descobrimos a revelação e provas do crime (episódio 1), a procura do entendimento da polícia com relação ao crime na escola em que ele estudava (episódio 2), o acompanhamento e avaliação de uma psiquiátrica a respeito do menino (episódio 3) e como a família lida com as consequências e com a pressão por voltar a uma vida normal, conciliando com a chegada do julgamento (episódio 4).
Com profundidades psicológicas envolvendo a tecnologia e solidão, a série vai além de um alerta sobre os perigos – ele mergulha nas camadas emocionais, sociais e estruturais que moldam o comportamento adolescente, e como um mau acompanhamento, somados ao bullying, por exemplo, afeta diretamente a mente daqueles que sofrem.
Uma leitura importante sobre esses movimentos mostrados na trama conta que não é só sobre um menino que usa a internet de forma errada. É sobre o que o leva até lá: isolamento, pressão familiar, escola despreparada, ausência de apoio emocional, entre alguns outros fatores. O que vemos na série não é a procura pelo culpado, e sim a absorção dos pontos de vistas que podem levar pessoas que conhecemos a realizarem atrocidades como tal.
O impulsionamento da Netflix funciona, e muito
E falando em sucesso, a Netflix teve um acerto gigante em suas escolhas. Mesmo com um tema de seriado que não é comum “bombar” dessa maneira, a história de Adolescência, os personagens, a direção e ideia muitas vezes inovadora de contar uma história tão pesada em plano-sequência se aglomeram em um sucesso visto raramente no streaming.
A começar pelas atuações, Owen Cooper no papel de Jamie Miller e Stephen Graham como seu pai, carregaram a grande maioria do emocional. E sabemos o quanto é difícil fazer um papel com uma dualidade de menino do bem e menino do mal, em sua adolescência. Por mais essa colocação, os aplausos para Cooper precisam ser de pé.
Junto a crítica positiva de sites especializadas e imprensa, o explorar questões contemporâneas como a influência das redes sociais, bullying, misoginia e a radicalização de jovens, fizeram o boca a boca ajudar muito na sua divulgação. Essas reflexões profundas sobre a sociedade atual estão em alta, e os debates que ouvimos em todos os lugares que frequentamos ajudou a essa incrível divulgação. Quem assina a Netflix e tem amigos com conta na plataforma de streaming certamente comentou sobre ela nos últimos dias. Às vezes, nem é o dinheiro que impulsiona algo, e sim a sua qualidade e abordagem de críticas bem feitas. Adolescência fez isso, e muito bem.
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Para quem ainda não foi conferir, a minissérie Adolescência está com seus quatro episódios disponíveis no streaming da Netflix.