O mundo do cinema perdeu ontem, 1º de abril de 2025, um de seus nomes mais icônicos: Val Kilmer, que faleceu aos 65 anos, vítima de pneumonia, em Los Angeles, conforme confirmado por sua filha, Mercedes Kilmer. Conhecido por papéis marcantes em filmes como Top Gun: Ases Indomáveis (1986), Willow: Na Terra da Magia (1988) e The Doors (1991), Kilmer deixou um legado que atravessou gerações. Evidentemente ficou conhecido pela versão de cinema mais caricata do Homem-morcego em Batman Eternamente de 1995. Mas, entre tantos trabalhos celebrados, há um filme que divide opiniões e que, para mim, sempre terá um lugar especial: O Santo (1997), lançado no Brasil com esse título simples e direto.
Dirigido por Phillip Noyce, O Santo é frequentemente alvo de críticas por seu roteiro clichê e por não capturar a essência do personagem Simon Templar, criado por Leslie Charteris e eternizado na TV por Roger Moore — que, aliás, faz uma participação especial no longa. A trama segue Kilmer como um ladrão mestre dos disfarces contratado por um magnata russo (Rade Serbedzija) para roubar a fórmula da fusão a frio de uma cientista brilhante, vivida pela talentosa Elisabeth Shue.
O que se desenrola é uma mistura de ação, romance e reviravoltas que, para muitos, não convence. No IMDB, o filme tem apenas 60% de aprovação, com críticas apontando um enredo confuso e uma atuação exagerada de Kilmer. Se considerar títulos atuais na mesma temática — esse até que é bom!
Quando eu era um adolescente na metade dos 90, O Santo era um daqueles filmes que eu pegava na locadora ou esperava passar na TV à tarde. Não tinha pretensão de ser uma obra-prima, e talvez por isso eu o adorasse tanto. Era perfeito para desligar a cabeça e me divertir com as peripécias de Simon Templar, seus disfarces excêntricos — de um artista sul-africano a um cientista nerd — e a química improvável com Shue.
Ficava me perguntando como não descobriam seus disfarces, já que todos pareciam uma paródia. Kilmer, com seu charme e intensidade, trazia um brilho único ao papel, mesmo que os puristas do personagem torcessem o nariz. Para mim, era um passatempo descompromissado, uma aventura que me transportava para um mundo de espionagem e romance sem exigir muito em troca.
O elenco, além de Shue e Moore, contava com nomes como Rade Serbedzija e Valery Nikolaev, mas era Kilmer quem carregava o filme nas costas. Sua versatilidade, já provada em Willow e Top Gun, aparecia aqui de forma leve e divertida. E, sim, o filme faturou US$ 169,4 milhões mundialmente, o que mostra que, apesar das críticas, ele ainda conseguiu uma certa bilheteria para o gênero.
Val Kilmer se foi, mas deixa memórias como essa. O Santo pode não ser o favorito da crítica, mas para mim, é um tesouro nostálgico. Descanse em paz, Val — e obrigado por aquelas tardes sem compromisso que nunca vou esquecer.